“Decidi fazer vasectomia jovem por causa das limitações ao aborto nos EUA”
Jonathan e Bayleigh tinham sido informados pelo médico ginecologista que Bayleigh tinha sofrido um aborto espontâneo da gravidez que não havia sido planejada por eles. Como não estava grávida, Bayleigh fez uso de medicamentos que causam mal formações fetais.
Mas, um mês depois, ela descobriu que o aborto não tinha acontecido, e a incerteza e o estresse, além de dores constantes e atípicas, levaram Bayleigh a fazer um aborto após 12 semanas de gestação, necessitando para isso passar por um procedimento cirúrgico para a retirada
do feto: o aborto na Flórida ainda era permitido até a 15ª semana de gestação. Após esse episódio, a lei mudou para 6 semanas, o que levou Jonathan a optar por fazer a vasectomia, pois o casal não confiava mais na pílula, uma vez que Bayleigh fazia uso desse método contraceptivo.
Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cx2n5x3e936o. Acesso em: 8 ago. 2024 (adaptado).
Os métodos contraceptivos empregados pelo casal são caracterizados como
A) reversíveis, pois, apesar de a vasectomia ser caracterizada como um método cirúrgico, a partir dela pode‑se realizar a ligação entre o ducto
deferente e o epidídimo em alguns casos; no caso da pílula anticoncepcional, a mulher volta a liberar ovócitos II após interromper o seu uso.
B) irreversíveis, pois a vasectomia é um procedimento cirúrgico com 100% de eficiência na esterilização do sêmen; já a pílula interrompe a produção definitiva de ovócitos II.
C) reversível para a vasectomia e irreversível para a pílula, pois o corte feito no ducto aferente, na vasectomia, pode ser refeito por outro
método cirúrgico; no caso da pílula, a produção de ovócito II não ocorre mais, uma vez que apenas ovócitos I são liberados pela mulher na fase de ovulação.
D) reversível para a pílula e irreversível para a vasectomia, uma vez que, ao pausar o uso da pílula, a mulher volta a liberar ovócito I; no caso da vasectomia, ocorre a obstrução do ducto deferente, o que impede a religação e a reversão cirúrgica.
RESOLUÇÃO:
A questão compara dois métodos contraceptivos usados pelo casal: a pílula anticoncepcional e a vasectomia. A pílula é considerada um método reversível, pois sua ação depende do uso contínuo. Em geral, os hormônios presentes no contraceptivo inibem a ovulação, principalmente por interferirem na liberação de FSH e LH. Quando o uso é interrompido, a atividade ovariana pode ser restabelecida e a mulher pode voltar a ovular, liberando ovócitos secundários (ovócitos II).
A vasectomia, por sua vez, é um método cirúrgico destinado a ser permanente, realizado por meio da interrupção dos ductos deferentes, impedindo que os espermatozoides produzidos nos testículos façam parte do sêmen ejaculado. Entretanto, em alguns casos, pode ser realizada uma cirurgia de reversão, com tentativa de restabelecimento da passagem dos espermatozoides. Por isso, embora seja tratada clinicamente como um método de caráter permanente, não é correto afirmar que seja absolutamente irreversível.
A alternativa B está incorreta porque a vasectomia não apresenta eficiência de 100% e a pílula anticoncepcional não interrompe definitivamente a produção ou a liberação de ovócitos.
A alternativa C também está errada. Além de classificar equivocadamente a pílula como irreversível, emprega o termo ducto aferente, quando a estrutura envolvida na vasectomia é o ducto deferente. Também é incorreta a afirmação de que somente ovócitos I seriam liberados durante a ovulação.
Já a alternativa D acerta ao considerar a pílula reversível, mas apresenta dois erros importantes: na ovulação, normalmente é liberado um ovócito II, e não um ovócito I; além disso, a vasectomia pode, em determinadas situações, ser submetida a procedimento cirúrgico de reversão.
Resp.: A