(Biologiaresolvida/2026) Um estudo realizado no rio Piracicaba investigou resíduos de antibióticos em água, sedimentos e peixes, além do potencial da macrófita Salvinia auriculata na fitorremediação. A planta removeu mais de 95% da enrofloxacina da água em alguns tratamentos, mas apresentou menor eficiência contra o cloranfenicol. O estudo também mostrou que reduzir a concentração do contaminante na água não garante, necessariamente, menor absorção pelo peixe, pois a presença da macrófita pode alterar a forma química ou a biodisponibilidade do composto. No caso do cloranfenicol, porém, a presença da planta reduziu danos genéticos observados nos peixes, medidos por micronúcleos e anomalias nucleares.
O uso de macrófitas aquáticas em processos de fitorremediação tem sido apontado como uma alternativa de baixo custo para mitigar a presença de contaminantes em ambientes aquáticos. No entanto, os resultados do estudo citado indicam que essa estratégia deve ser avaliada com cautela.
Com base nas informações apresentadas, a principal razão para essa cautela é que a fitorremediação por Salvinia auriculata
A) elimina completamente os antibióticos do ecossistema aquático, mas aumenta o risco de eutrofização por liberar nutrientes no sedimento.
B) reduz a concentração dos antibióticos na água, mas pode alterar a dinâmica de biodisponibilidade, bioacumulação e toxicidade dos contaminantes.
C) impede a formação de superbactérias, mas favorece a seleção de peixes geneticamente resistentes aos antibióticos.
D) transforma todos os antibióticos em substâncias inofensivas, mas exige o controle da reprodução da macrófita para evitar competição com algas.
E) concentra os antibióticos nas folhas da planta, impedindo sua entrada na cadeia alimentar e eliminando a necessidade de manejo da biomassa.
RESOLUÇÃO:
O texto-base revela que a simples remoção do contaminante da água não basta para avaliar o risco ambiental. A Salvinia auriculata reduziu a concentração de antibióticos no meio, mas sua presença também modificou a dinâmica do sistema, podendo interferir na biodisponibilidade e na absorção pelos peixes. Esse ponto torna a questão mais complexa: uma tecnologia ambientalmente promissora pode reduzir certos efeitos, como os danos genéticos associados ao cloranfenicol, mas não deve ser tratada como solução definitiva. É necessário considerar bioacumulação, genotoxicidade, subprodutos formados e manejo da biomassa contaminada.
Resp.: B
VEJA TAMBÉM:
– Questão resolvida sobre contaminação da água por mercúrio, da UFPR
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